Quem poderia acreditar que a Espanha, a grande campeã do Mundo em 2010, na África do Sul, ficaria fora das oitavas de final do mundial realizado aqui no Brasil?
Ninguém, claro, mas foi o que aconteceu.
Se perder logo na primeira partida para a Holanda, com um placar tão elástico (4 a 1 fora o baile), já foi inesperado, tomar uma surra do Chile no segundo confronto da fase de grupos foi ainda pior.
Não que estejamos menosprezando a seleção do Chile. Pelo contrário. Os chilenos mostraram uma equipe forte, bem montada, pronta para encarar seja lá quem for seu adversário na próxima fase.
Mas a verdade é que muito se apostou na "Fúria", atual campeã do mundo e que tem jogadores incríveis como Casillas, Sergio Ramos, Piqué, Xabi Alonso, Iniesta, Pedro e Diego Costa. A base da equipe sensação (e campeã) da última Copa do Mundo.
E não teve jeito. A seleção chilena, comandada pelo técnico Jorge Sampaoli, enfiou 2 a 0 na Espanha, de Vicente Del Bosque, num Maracanã lotado que gritou "Olé... Olé..." a cada toque que o Chile dava na bola.
Parece que o encanto espanhol acabou. Aquela fórmula bonita de jogar futebol que vimos há quatro anos, inclusive exposta pelo Barcelona, comandado, à época, por Pep Guardiola, parece ter chegado ao fim. Será o momento de se reinventar?
Ainda pelo Gupo B, a Holanda foi ao Beira Rio encarar a boa equipe da Austrália, e conseguiu uma vitória importante que culminou na sua classificação para as oitavas de final. Foi um jogaço de bola.
E não pense você que a Holanda passou fácil pelos australianos. Muito pelo contrário. A equipe da Oceania foi superior em pelo menos 70% do jogo. Mesmo saindo atrás no placar, a Austrália virou a partida e teve as melhores oportunidades de ampliar o placar, mas perdeu o jogo no "detalhe".
Aos 19 minutos, Robben abriu o placar para Holanda em um chute cruzado. um belo gol. Mas eles mau conseguiram comemorar, porque 1 minuto depois a Austrália chegou ao empate com um golaço de Cahill.
Muito melhor na partida, a Austrália virou sobre os holandeses aos 7 minutos da etapa complementar, com Jedinak cobrando pênalti.
Numa cochilada da equipe australiana, Van Persie deixa tudo igual.
Ainda assim, era a Austrália quem parecia muito mais perto de marcar o terceiro gol. Aos 22 minutos, Leckie teve uma oportunidade incrível de ampliar o marcador depois do cruzamento de Oar. Mas o atacante australiano não conseguiu concluir em gol e acabou dando o contra-ataque à Holanda, que foi fulminante no chute de Depay. Final: Holanda 3x2 Austrália.
Resultado: Holanda e Chile já estão classificados para a próxima fase e um dos dois deverá ser o adversário da Seleção Brasileira. Duas pedreiras. Duas equipes que têm muito entrosamento e força no conjunto, diferentemente do Brasil, que deposita todas as esperanças em um único jogador, o seu camisa 10 (Neymar).
O bicho vai pegar, meus caros... Esperam por uma "parada duríssima" na próxima fase.
Muito se discutiu, antes do início da Copa do Mundo de 2014, sobre a utilização do uso de chip nas bolas de futebol na maior competição esportiva do mundo. Houve aqueles que acharam a ideia excelente e os que acharam um absurdo. Particularmente, não fui a nenhum extremo. Entendo que exista os dois lado da moeda nessa história. Como?
O futebol, principalmente na América do Sul, é regado de muita catimba e malandragem que se tornaram características desse esporte. O futebol profissional, embora hoje seja um trabalho com carteira assinada, com direitos trabalhistas, enfim, uma profissão como qualquer outra, carrega o espírito do amadorismo contidas nas peladas jogadas nas ruas, nas escolas, nos campinhos de bairro, etc. Isso é o futebol. Um esporte de alma popular, de simplicidade.
Jogador que se cai dentro da área para cavar um pênalti, ou atleta que desaba no gramado para fazer o jogo esfriar quando seu time está vencendo, ou aquela bola duvidosa que pode dar o título para uma equipe, quem sabe até, na situação adversa, custar a queda para uma divisão inferior, enfim. Tudo isso existe e é completamente normal dentro do futebol. Faz parte da cultura desse esporte usar da malícia, desde que não se confunda com violência, falta de respeito ou até mesmo discriminação.
Mas, com a chegada da tecnologia, acredito que o futebol esteja caminhando para algo cada vez mais robótico e sem graça. É o que eu chamo de acabar com a "essência do futebol".
No entanto, deixando de lado a visão de "torcedor apaixonado" e me colocando na pele do jogador, que trabalha para o esporte, vive do esporte, respira o esporte e depende do esporte para sobreviver, há de se concordar que a tecnologia permite a diminuição dos erros de arbitragem , o que faz o futebol ser mais justo àqueles que vivem dessa profissão.
Na última Copa do Mundo, por exemplo, que foi realizada na África do Sul, em 2010, Alemanha e Inglaterra se enfrentavam pelas oitavas de final. A equipe alemã vencia por 2 a 1. Aos 34 minutos da etapa inicial, o atacante inglês Lampard chuta de fora da área, a bola encobre o goleiro alemão, bate no travessão, ultrapassa claramente a linha que define se é gol ou não e depois volta para dentro de campo. Tanto o auxiliar de arbitragem quanto o árbitro da partida não consideraram o gol, que seria o empate da Inglaterra e que poderia ter mudado completamente a história dessa partida.
A partir desse episódio, a Fifa estudou muito a possibilidade até entender que deveria introduzir o chip na bola já para a próxima edição da competição, aqui no Brasil.
Pois é. Pelo que andei conversando com diversos amigos, jornalistas, especialistas em futebol, torcedores, simpatizantes do esporte, e até com pessoas da minha família, cheguei a conclusão que a decisão da Fifa não tem aprovação unanime. Pelo contrário. Há opiniões bastante equilibradas a respeito.
Na partida de hoje entre França e Honduras, válida pela primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2014, o atacante francês Benzema chutou de perna esquerda, a bola bateu na trave e logo em seguida explodiu nas costas do goleiro Valladares, que ainda tentou dar um tapa na pelota para evitar o gol. O lance foi muito rápido e bem mais difícil de saber se havia ou não cruzado a linha. Com ajuda da tecnologia, o árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci assinalou corretamente o gol. E foi essa a primeira participação efetiva e decisiva da tecnologia do chip em uma competição Mundial.
Continuo defendendo o futebol do "espírito" limpo, sem ajuda dos robôs, com muita malícia, catimba, ginga, arte. Mas não posso negar que o meu senso de justiça ficou muito satisfeito ao saber que o "correto" venceu (nesse caso, o gol legítimo da França).
Com certeza voltaremos a discutir esse tema até o final dessa Copa.
O Brasil entrou em campo muito concentrado e venceu a Croácia na estreia da Copa do Mundo 2014, na Arena Corinthians, em São Paulo, por 3 a 1.
Para quem, como eu, pensou que a nossa seleção venceria sem nenhuma dificuldade, se surpreendeu com uma partida duríssima e, em alguns momentos, tensa.
Os croatas abriram o placar aos 10 minutos, depois de uma infelicidade de Marcelo que, ao tentar se antecipar para interceptar o que poderia ser um chute a gol do adversário, acabou tocando a bola com a ponta da chuteira e mandando a redonda para o fundo do gol de Júlio César.
Mas o Brasil não se intimidou com o gol sofrido. Pelo contrário. Acordou na partida e passou a atacar os "inimigos" com mais perigo.
Paulinho até tentou abrir o placar num chute forte pelo lado direito, que acabou defendido pelo goleiro croata. Outras chances apareceram, mas o primeiro gol canarinho já tinha um nome definido. Foi dos pés de Neymar, o craque da camisa número 10, que a bola partiu para balançar a rede e fazer a torcida explodir de alegria.
O garoto recebeu a bola quase na entrada da grande área, levantou rapidamente a cabeça para saber o que fazer e, num chute cruzado e certeiro, botou a bola no canto esquerdo de Stipe Pletikosa. Uma bola praticamente indefensável. Um gol para reascender a confiança do torcedor brasileiro.
A croácia, por sua vez, estabeleceu uma linha no meio de campo fortíssima, dificultando a chegada do Brasil ao ataque com uma marcação poderosa.
E foi nesse momento que a Seleção Brasileira precisou mostrar maturidade e tocar a bola. Bem no jeitão Parreira (auxiliar técnico de Felipão) de ser.
Com o Brasil tentando de todas a formas furar o bloqueio adversário instalado no meio de campo, Daniel Alves, cruza pelo lado esquerdo e encontra Fred. O atacante brasileiro, experiente, percebendo que não teria condição de virar o corpo e chutar ao gol, se joga quase na linha da pequena área e o árbitro cai na dele. Pênalti (que não existiu) marcado.
Neymar bateu, não tão bem, mas converteu a gol... 2 a 1 para o Brasil e mais uma vez festa no País da Copa.
Nesse momento, Oscar já era, sem sombra de dúvidas, o nome do jogo. Ele atuou praticamente como um antigo "ponta-direita", compensando, inclusive, a apatia de Daniel Alves, pouco participativo no jogo.
Além de muito presente nas jogadas pelas laterais, o jovem meia-atacante do Chelsea também assumiu uma função de marcador. Não desistiu de uma só jogada. E mesmo quando perdia a bola para o adversário, voltava para recuperar. O menino mostrou muita raça, vontade e espírito de guerreiro. Acho difícil ele perder posição nesse time titular.
Com uma atuação praticamente impecável, Oscar merecia marcar o seu gol para fechar com chave de ouro. Os deuses da bola sabiam disso e com certeza resolveram presenteá-lo. De bico, com simplicidade e muita humildade, Oscar fez o terceiro gol brasileiro, para fechar a conta e sacramentar o resultado.
Mas é importante lembrar também que o David Luiz foi um gigante nessa partida. Não deixou nem o vento passar por ele. Digno de um verdadeiro zagueiro de Seleção Brasileira.
A próxima parada, em Fortaleza, será contra o México. Há quem diga que eles podem dar ainda mais trabalho à Seleção Brasileira do que a Croácia. O jeito é manter a toada e não perder o foco.
O momento chegou, minha gente. E chegou de verdade. A ficha já pode cair. Não tem volta. É hora de juntarmos as vibrações, vestir o verde e amarelo e deixar a emoção tomar conta.
Embora concordemos que ser sede de uma Copa do Mundo é a menor das prioridades do País, já que estamos falando de um Brasil com carência nos setores da educação, da saúde, da segurança pública, da política, entre outros, temos que admitir que a ansiedade e a expectativa para ver a nossa Seleção Brasileira brilhar na competição esportiva mais importante do mundo são inevitáveis.
Até mesmo os diversos protestos do povo pelas ruas das principais capitais do país devem se render ao encanto da magia proporcionada por uma copa do Mundo. Mesmo porque, como eu disse, não há volta. A Copa está aí e o que nos resta é torcer pelos nossos representantes.
O povo é inteligente e sabe que o problema não está na Copa do Mundo ou na FIFA, mas sim na política nacional, regada de muita corrupção e de gente oportunista. Não adianta ir às ruas e pedir que não haja Copa se na verdade o erro está na forma como escolhemos nossos governantes. O meu protesto, por exemplo, será em outubro, nas eleições para presidente da república. e não contra o futebol.
Pelo contrário. O futebol, meus caros, é a nossa alegria. É a nossa paixão. É o que nos faz esquecer dos problemas, das dificuldades, das tristezas. É a única coisa nesse país que faz o povo se unir. Não tenho dúvidas que, no momento em que a Seleção Brasileira entrar em campo, na arena Corinthians, popularmente conhecida como Itaquerão, e que o hino nacional ecoar em alto e bom som, a emoção tomará conta do povo.
Porque o brasileiro é um povo sofrido, que vive de perto a fome, a falta de condições, o desemprego. Talvez sejam esses alguns dos motivos pelos quais nos tornamos o "país do futebol". Há anos o Brasil incorporou o esporte bretão ao seu habitual, ao seu habitat, ao seu dia a dia. E toda vez que a bola balança as redes dos gramados, balança também o coração dessa gente, que explode de alegria ao gritar "gol".
Até os que se dizem contra no fundo já vestiram o coração de verde e amarelo. Se o título vier, e eu torço para que isso aconteça, o grito que fica entalado na garganta não sairá apenas da boca, mas da alma de cada brasileiro.
Eu estou com a Seleção Brasileira e torço para que Neymar, Fred, Paulinho, David Luis, e companhia, no comando de Felipão, levantem a taça dentro da nossa casa.
Boa sorte, Brasil. Chegou a hora de mostrar ao mundo quem é o dono da bola.
Em meio à tanta pobreza, corrupção, falta de investimento à educação, à saúde, além da intolerância, do racismo e do preconceito que o nosso País enfrenta, eis que uma pequena atitude me faz pensar que o mundo ainda tem solução.
Nos últimos dias, as torcidas de Grêmio e Internacional deixaram a rivalidade de lado e nos deram uma verdadeira lição de humanidade e respeito. Algo que jamais foi visto no futebol brasileiro. Pelo menos eu nunca tinha me deparado com algo do tipo quando se trata de duas grandes forças de um Estado.
Depois que foi anunciada a morte de Fernandão, 36, ex-jogador de futebol e ídolo do Internacional de Porto Alegre, causada por um acidente de helicóptero, em Goiás, o Grêmio lamentou o ocorrido em seu Twitter oficial e decretou luto.
Mas bonito mesmo foi a atitude de alguns torcedores gremistas que prestaram homenagem a Fernandão comparecendo à frente do estádio Beira-Rio para participar do ato de emoção promovido pelos fãs do ex-atacante e torcedores colorados.
E, se o gesto dos gremistas impressionaram, a recepção dos colorados também emocionou a todos. Eles receberam os rivais de braços abertos e cumprimentaram os tricolores pelo ato de respeito.
Mais tarde, em agradecimento, a diretoria do Internacional acrescentou às luzes do estádio a cor azul, do Grêmio, simbolizando a união dos dois maiores clubes do Rio Grande Sul nesse momento de luto.
Realmente esse é o maior exemplo de humanidade e respeito que dois clubes e duas torcidas rivais poderiam dar ao País. Merecem todo nosso respeito.
Pois é, meus caros. E quem foi que disse a vocês que vida de goleiro é fácil? Não acreditem nessas histórias de que o goleiro cansa menos por não sair da área, não correr, ou que para ser goleiro basta ser corajoso para saltar na bola. Tudo conversa fiada. A preparação de um goleiro exige muita resistência e explosão. São os goleiros os atletas que mais treinam dentro de uma equipe de futebol.
Acho, inclusive, que é uma das posições mais importantes do esporte bretão. Pelo menos assim deveria ser vista por todos, já que a responsabilidade de uma derrota, na maioria das vezes, é atribuída a ele (goleiro). Foi o que presenciei hoje, no Estádio do Morumbi, na vitória do São Paulo sobre o Atlético-MG, por 2 a 1.
O Tricolor começou o jogo a todo vapor, mantendo a posse de bola e, consequentemente, o domínio da partida. Logo aos 10 minutos de bola rolando, Osvaldo faz cruzamento pelo lado esquerdo e encontrou Luís Fabiano na área adversária para apenas escorar de cabeça e abrir o placar para os donos da casa. O São Paulo tentou chegar ao segundo gol ainda no primeiro tempo, mas não foi eficiente nas finalizações.
Engana-se quem pensou que foi o Galo quem entrou melhor no segundo tempo. Pelo contrário. A equipe comandada pelo técnico Levir Culpi mostrou muita fragilidade principalmente no setor defensivo. No entanto, o São Paulo é quem parecia outra equipe. Cansado e já sem velocidade para armar os contra-ataques, o Tricolor do Morumbi cedeu o empate aos 33 minutos da etapa complementar, com um gol de Josué.
Bom, a partir daí o jogo "morno" caminhava para um empate chato, sem graça, daqueles que não serve para nenhuma das duas equipes. O final já estava escrito. Aos 43 minutos já havia torcedores deixando o estádio para não pegar aquela multidão imensa - afinal de contas, o Morumbi recebeu mais de 27 mil torcedores.
Porém, o jogo só termina quando o árbitro apita o final. Isso é óbvio. E, enquanto isso não acontece, tudo pode rolar. O futebol é uma caixinha de surpresas. Provou mais uma vez quando, aos 44 minutos - quase 45 - Pabón, que havia entrado no lugar de Pato, cobrou uma falta pelo setor direito. A bola, que saiu rasteira, bateu três vezes no chão antes de chegar na mão do goleiro Giovani, que está substituindo Victor, convocado pelo técnico Luís Felipe Scolari para servir à Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Giovani, goleiro do Atlético-MG após sofrer um "frango"
Aparentemente, uma bola fácil de defender que passou ao lado da barreira, sem muita força, quase sem nenhum efeito e visível para o goleiro atleticano, que bastava cair com seu corpo sobre a redonda e tudo estaria resolvido. Ou, se preferisse, poderia ter dado meio passo à direita que a encaixaria no que chamamos de "cama". Mas ele não seguiu o que se aprende nos treinamentos e acabou levando um tremendo "frango". ou seja, um pequeno erro de fundamento que causou a derrota do Atlético-MG e que com certeza irá tirar o sono de Giovani.
Concidentemente, hoje à tarde assisti a um documentário espetacular na ESPN Brasil sobre um dos maiores goleiros que o Brasil já teve, mas também um dos homens mais crucificados no futebol. Trata-se de um material muito bacana que relatou os momentos mais dolorosos do saudoso camisa 1 da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Para quem não sabe, Barbosa falhou no segundo gol que sofreu diante do Uruguai, em pleno Maracanã, e os adversários sagraram-se campeões, calando a imensa torcida brasileira. Por conta disso, Barbosa foi condenado até seu último dia de vida.
Quando tudo ocorre bem, quando um goleiro evita gols incríveis, defende pênaltis, salva o time de situações quase impossíveis, enfim, quando faz a diferença, ele "fez nada mais do que sua obrigação". Mas, quando falha, a cobrança é implacável, muitas vezes até imperdoável. Já vi diversos goleiros perdendo a titularidade por conta de um erro cometido em campo. Sem contar os que acabam até desempregados. Imaginem quantos garotos não perderam a oportunidade de realizar um sonho por conta de algo semelhante.
A verdade, meus caros, é que ser goleiro exige muito, tanto fisicamente quanto psicologicamente. São eles (os arqueiros) os atletas que chegam mais cedo e saem mais tarde dos treinos. Falo isso com total propriedade, pois atuei nessa posição durante alguns anos em times amadores. Disputei campeonatos estaduais e sei o quanto sofre um goleiro. E sei também o quanto o goleiro é a alma do time.
Certa vez, o grande professor Valdir de Morais, percussor da profissão de treinador de goleiros, em entrevista para o documentário "Goleiros - Onde não Nasce Grama, Surgem Ídolos", me disse o seguinte: "O goleiro é o grande termômetro de um time. Pode analisar, quando um goleiro não está bem, dificilmente o time vence. Do contrário, quando ele faz defesas incríveis, inspira os seus companheiros dentro de campo".
E é por isso que vivo defendendo a posição considerada a mais ingrata do futebol. Espero que o jovem Giovani não seja punido e que novas oportunidades sejam dadas a ele.
11 de maio de 2014: um domingo em que se comemora o tão merecido Dia das Mães. A pessoa mais importante na vida de todos. A pessoa que nos deu a oportunidade de estarmos no mundo, além de ser a responsável por nos ensinar os bons costumes, nos educar e nos dar todo o amor e carinho.
Mas também é dia de clássico entre São Paulo e Corinthians, o famoso "Majestoso", em partida válida pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Independentemente da rivalidade que existe, essa será uma partida pra lá de importante para as duas equipes, que precisam somar o máximo de pontos antes da paralisação da competição para a Copa do Mundo, que inicia no dia 12 de junho.
Coincidentemente, em 1998, também um domingo de homenagens às mães, as duas equipes se enfrentavam no estádio do Morumbi, dessa vez em jogo eletrizante valendo o título do Campeonato Paulista. À época, tanto São Paulo quanto Corinthians tinham planteis inquestionáveis, com jogadores que de fato vestiam a camisa de seus clubes.
Pelo Corinthians, Gamarra, Vampeta, Rincón e Marcelinho Carioca eram os grandes craques do time. Já pelo São Paulo, Rogério Ceni, Denílson, França e Márcio Santos despontavam como destaques da competição, além de uma grande atração que vinha da Europa.
Eu, um são-paulino apaixonado - e não fanático -, fiz todo esforço necessário para assistir à essa partida, principalmente pela tal "atração" prometida. No sábado que antecedeu o clássico, cheguei bem cedo no estádio que seria palco do confronto para comprar o meu ingresso. A fila era enorme e a desorganização, como sempre, quase me fez desistir. Mas suportei as três horas e meia de espera e garanti minha entrada. Já no domingo, almocei com a minha mãe, dei aquele grande abraço pelo seu dia, pedi desculpas por ter de deixa-la tão rápido, às pressas, e fui para o Cícero Pompeu de Toledo, mais conhecido como Estádio do Morumbi. Todo o esforço foi válido.
Um dos maiores ídolos do São Paulo, o grande craque Raí, bicampeão da Libertadores da América (92-93) e campeão do Mundo (1992) pelo tricolor paulista, estava de volta ao clube que o projetou para o futebol mundial. Raí retornava da França depois de 5 anos atuando em alto nível pelo Paris Saint Germain.
A expectativa de ver o ídolo era imensa. Havia uma mistura de ansiedade e receio. Sim, receio porque o São Paulo perdeu a primeira partida da final por 2 a 1 e o Corinthians jogava por um empate. Ou seja, somente a vitória interessava ao tricolor.
O coração bateu mais forte quando o placar eletrônico, ao informar a escalação do clube da casa, anunciou a presença de Raí no time titular. O estádio explodiu em festa. Fogos de artifício estouravam enquanto os torcedores cantavam sem parar: "Raí, Raí, o terror do Morumbi". O coro se repetia a cada toque que o ídolo dava na bola. Era uma coisa de louco. Eu me sentia novamente no inicio dos anos 1990, na qual o São Paulo vivia um dos momentos mais marcantes sua história, a "era Telê", que contou, além de Raí, com grandes craques como Zetti, Muller, Palhinha, Cerezo, Leonardo e etc. Sem contar os prodígios do expressinho como Caio, Pavão, Jamelli, Denílson, entre outros. (que saudade, diga-se de passagem)
Infelizmente eu estava num local ruim para assistir o jogo, com a visibilidade limitada do campo. Fiquei, junto com meu irmão Fabio, na arquibancada "geral", localizada atrás do gol de Rogério Ceni na etapa inicial. O tricolor abriu o placar aos 30 minutos do primeiro tempo. Quase não consegui ver a bola entrar, apenas a rede mexer e a arquibancada explodir. Uma loucura. Loucura que aumentou quando, novamente, o placar eletrônico anunciava o nome "Raí". Sim, o primeiro gol foi dele. O grande ídolo, que acabara de retornar ao clube do coração, dava esse presentão para a torcida das três cores.
No segundo tempo, o São Paulo foi visivelmente superior ao rival Corinthians. O toque de bola envolvente havia ganhado ainda mais qualidade, que era uma característica de Raí desde os velhos tempos de tricolor. Além dele, Denílson e França também brilharam. No segundo tempo, fizeram um gol cada, fechando a conta para tricolor do Morumbi. O Corinthians ainda descontou com Didi, no finalzinho da partida, mas sem chance de evitar que o título ficasse para os donos da casa.
A diretoria do São Paulo havia preparado uma festa incrível para o time. A queima de fogos durou alguns minutos, mas pareciam a eternidade. Fiz questão de correr até a direção onde fica o escudo do clube, na direção do centro estádio, para ver Raí comemorar com a torcida. Foi bonito demais. Muita emoção. Vai ficar para sempre na história do futebol e guardado a sete chaves na minha memória.
Na partida desse domingo a situação é bem diferente. Não há disputa de títulos nem muito menos veremos dois grandes times no que diz respeito a elenco. São dois times que não inspiram a menor emoção. Aliás, vale lembrar que, por questões de contrato, os melhores jogadores de cada equipe, ou pelo menos os que poderiam dar alguma emoção ao clássico, motivados por terem trocado de um clube para o outro, não vão jogar. Refiro-me a Pato e Jadson, que deixaram seus clubes para defender as cores adversárias.
Que seja, ao menos, um jogo sem violência e sem baixarias entre os cartolas dos dois clubes, que por sinal já protagonizaram muitas brigas infantis. Se assim for, já é alguma coisa.
Já faz certo tempo que não tiro alguns minutos do meu tempo para escrever por aqui. Tenho programado isso há algum tempo, mas confesso que minha rotina anda pra lá de agitada, o que me impossibilita de escrever.
Hoje, no entanto, é um dia que não pode se passar em branco. E, embora o assunto não seja futebol, que é o foco desse blog, resolvi expor o que ando sentindo no meu coração nos últimos dias. Trata-se de um amor de fã para ídolo que parece aumentar cada vez que seu nome é ovacionado ou simplesmente mencionado.
É claro que estou me referindo a Ayrton Senna da Silva, o maior ídolo que o nosso País já teve e talvez o maior piloto da história da Fórmula 1 de todos os tempos. É também o nosso último grande herói.
Hoje, 1 de maio de 2014, completa-se 20 anos da morte de Senna, que nos deixou em um fatídico acidente na curva Tamburello do Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália. Um dia que dificilmente sairá da mente dos brasileiros e dos apreciadores de automobilismo no mundo todo.
De lá para cá, muita coisa aconteceu no esporte brasileiro. A seleção brasileira de futebol conquistou duas Copas do Mundo, a seleção de vôlei levantou o troféu em diversas competições, surgiu o grande Gustavo Kuerten (Guga), tenista que devolveu a honra aos brasileiros perante o mundo, a família Gracie se tornou referência no Jiu-Jitsu ao conquistar as primeiras edições do Ultimate Fighting Chanpionship e, anos mais tarde, caras como Anderson Silva, Victor Belfort, José Aldo, Junior Cigano, entre outros, também figuraram entre os maiores campeões do mundo. Mas o fato é que nenhum tinha o carisma, a dedicação, a concentração, a vontade, a garra e o amor pelo País como Ayrton.
O canal Sportv, das organizações Globo, dedica o dia inteiro de programação ao grande piloto. aliás, parabéns à Sportv pela grande ideia. E eu, grande fã do "mito" que sou, acordei cedo para conferir o que o canal preparou para os fãs da "lenda". Confesso que minha vontade era nem sair de casa, para não perder um só minuto de Ayrton Senna.
Quando Senna morreu, em 1994, eu tinha apenas 11 anos. Mas eu não perdia uma só corrida dele. Esperava ansioso para vê-lo correr e dar show. As manhã de domingo com ele nas pistas era sinal se emoção garantida. Sempre tinha uma surpresa boa que me deixava muito feliz. Mais do que isso, Senna sempre conseguia, indiretamente, arrancar alguma lágrima dos meus olhos. Ele vencia, a música (tema da vitória) subia e a lágrima caia, ou pelo menos ameaçava cair.
20 anos se passaram e essa sensação de emoção absoluta continua. Qualquer menção ao nome dele me causa frio na barriga. O embargo na voz e o olho lacrimejando são inevitáveis. Não consigo controlar. Parece até que tudo aconteceu ontem: as vitórias, as polêmicas, as comemorações e até a morte dele. Coisa louca.
Hoje tive o enorme prazer de rever algumas das principais atuações de Senna na Fórmula 1, que foram reprisadas no canal Sportv. Algumas que, para ser sincero, eu sequer lembrava. Parecia tão real, tão atual. A vitória de Senna em Interlagos, em 1991, por exemplo, foi incrível. E essa é uma das que me lembro bem, passo a passo. Ele fez algo impossível. venceu a corrida debaixo de chuva e utilizando apenas a sexta marcha. Ou seja, operou um milagre.
Mas o que realmente me fez cair no choro hoje, foi rever a vitória dele no Grand Prêmio do Japão, em Suzuka, em 1988. Tratava-se da penúltima corrida do campeonato e somente a vitória interessava a Ayrton, que disputava o título com o então bicampeão Alain Prost. Senna havia chegado recentemente à McLaren, escuderia do seu oponente, mas mostrou que não estava lá para brincar ou até mesmo para abaixar a guarda para Prost.
Senna havia conquistado a pole position (primeira posição no grid de largada). Logo em seguida, na segunda posição, estava seu rival Alain Prost. Com os dois melhores pilotos nas primeiras colocações a emoção já era de se esperar. O que não estava no script dessa corrida é que Senna teria uma terrível largada, mas um final fantástico.
Assim que foi dada a largada, o carro de Senna sofreu uma pane e, de repente, parou. Tudo o que Prost precisava para assumir a ponta e tentar o título mundial. Quando o carro do brasileiro resolveu andar, Senna já ocupava a 16ª posição. Nesse momento, a diferença de Prost para Senna era de 17 segundos, o que é muito tempo quando se trata de carros de Fórmula 1.
Mas é aí que Senna mostra sua diferença sobre qualquer outro piloto da história desse esporte. Já na segunda volta, Senna despontava entre os oito primeiros carros, diminuindo sua diferença para 7 segundos em relação ao francês.
Inacreditavelmente, Senna foi ultrapassando um a um de forma incrível. Parecia que só tinha ele na pista. E já na 19ª volta, Senna assumia a 2ª colocação, bem próximo do carro de Prost, pressionando-o, fazendo com que o francês tentasse aumentar seu ritmo. Mas era praticamente impossível se afastar de Senna.
Imaginem o desespero de Prost, o então bicampeão, tratado pela imprensa e pela organização da competição como o "piloto a ser batido", ao olhar para seu retrovisor e ver um garoto determinado e que exalava fome de vitória. eu duvido que Prost não estremeceu as pernas...
Na 27ª volta, Prost não conseguiu segurar Senna. O piloto francês é atrapalhado por um retardatário e entra lento na reta. Senna aproveita para tentar a ultrapassagem por dentro. Prost até tenta pressioná-lo contra o muro, mas não adianta, porque Ayrton assume, de forma brilhante, a ponta. Assim foi até o final da corrida.
O nosso ídolo brasileiro caiu no choro ao cruzar a linha de chegada e ver a bandeira quadriculada. Quem é que consegue segurar a emoção vendo Senna tão emocionado? Eu não consegui. chorei feito criança.
Fonte: Portal Grande Prêmio
A vitória fantástica em Suzuka rendeu ao piloto brasileiro o seu primeiro mundial na F-1. Foi a abertura para uma carreira maravilhosa, embora curta. Senna ainda conquistou os títulos de 89 e 91, e caminhava para conquistar mais uma competição mundial, em 1994. No entanto, o destino reservou um final diferente do que todos esperavam. A estrela perdeu seu brilho no Terra, mas sem dúvida iluminou o céu.
Senna se foi fisicamente, mas continua muito vivo no coração dos brasileiros. Eu, particularmente, não o esqueço. Sou um dos grandes fãs desse campeão. É, sem dúvida, o meu grande ídolo, o meu eterno herói.
Obrigado, Senna.
#SennaSempre
Capacete do Ayrton Senna em exposição de homenagem ao piloto, no Shopping Vila Lobos
Capacete do Ayrton Senna em exposição de homenagem ao piloto, no Shopping Vila Lobos
Não é primeira vez que me bate uma enorme nostalgia do futebol.
Geralmente essa sensação toma conta de mim quando algum campeonato muito importante está próximo de acontecer e a realidade da equipe para qual desde criança escolhi torcer não me passa a menor confiança.
Estamos às vésperas de uma Copa do Mundo (No Brasil) e não tenho a menor vontade de acompanhar a competição que recebe o rótulo de "a mais importante do planeta".
Pelo contrário. Quando escuto a palavra chave "Copa do Mundo" sinto certo desespero e tudo que me vem à cabeça é o Mundial de 1994, nos Estados Unidos, que rendeu ao Brasil o quarto título de campeão do mundo de sua história.
Que fique claro que essa não foi a melhor Copa do Mundo que já vi, mas foi a que, dentro das devidas proporções, a primeira que me causou grande emoção como torcedor.
É bem verdade que em 1993, quando a Seleção Brasileira disputava as eliminatórias para a Copa do Mundo, havia muito questionamento e desconfiança por parte do torcedor e da imprensa brasileira sobre o time que representaria o Brasil nos Estados Unidos no ano seguinte.
A começar pelo esquema tático adotado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, que em momento algum escondeu sua filosofia de jogo e montou uma equipe totalmente preparada para se proteger na defesa. E a tática deu certo. Não foi à toa que sua equipe sofreu apenas três gols durante toda a competição - um contra a Suécia, na primeira fase, e dois contra a Holanda, nas quartas de final.
Para calar os críticos, foi o setor defensivo o grande destaque - depois do atacante Romário, claro - desse time comandado por Parreira. Os zagueiros Aldair e Márcio Santos foram impecáveis. Contaram também com Mauro Silva e Dunga, dois volantes muito seguros e com raça. Vale ressaltar, inclusive, que Dunga chamou a responsabilidade quando foi acionado e inverteu o rótulo de "jogador que joga feio" para "capitão do tetracampeonato".
E o que dizer sobre o goleiro desse time? Claudio André Taffarel, mais conhecido com simplesmente Taffarel, vivia situação terrível no Reggiana, da Itália. Enquanto isso, no Brasil, Zetti (São Paulo), Ronaldo (Corinthians) e Gilmar (Flamengo) passavam por momentos completamente diferentes a de Taffarel. Todos pediam pela convocação desses três guarda-metas, mas apenas Ronaldo ficou de fora. Talvez até pelo temperamento instável.
Em 2011, entrevistei o ex-goleiro Zetti para um documentário sobre goleiros e ele me confidenciou uma conversa que a comissão técnica teve com ele. "Eles me chamaram e disseram que eu merecia a camisa 1 até pelo momento que eu vivia, conquistando duas Libertadores e dois mundiais de clubes pelo São Paulo. Eu estava voando. Mas eles iriam apostar em um jogador que já tivesse tido uma experiência de copa do Mundo. Por isso dariam uma nova chance ao Taffarel", disse Zetti.
E no final das contas Taffarel deu conta do recado. Nas poucas vezes em que precisou trabalhar de verdade ele salvou o Brasil. Além disso, como dizem por aí, todo grande goleiro precisa ter sorte também. E isso não faltou ao camisa 1 canarinho. Inclusive na final do competição, no último pênalti cobrado por Roberto Baggio, por cima do gol de "Taffa".
Criticas à parte, a equipe de Parreira fez um Mundial perfeito. Jogou o fino da bola. Não foi aquele show de bola do time de Telê Santana, em 1982 (que jogou bonito mas não venceu), mas com certeza foi o time que fez o povo tirar o grito preso na garganta há 24 anos.
E, diferentemente de 1994, esse ano de 2014 não me traz esperança alguma. Não estou dizendo que o Brasil não tenha chance de vencer a competição. Pelo contrário. Em futebol tudo é possível. Mas confesso que a empolgação é a menor possível e a expectativa de um futebol encantador é zero.